Este Blog é sobre Poemas,Livros,Crônicas,Músicas,Programação Televisiva e Espiritualidade.

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Labirinto

 
 
 
 
Por onde eu vim, que origens me abraçaram?
Que senhas devo usar que desconheço?
Só para respirar pagar que preço
e  como eu dar o amor que me negaram?
 
Como me achar, se vivo pelo avesso
em busca da emoção que me roubaram?
O que fazer dos sonhos que restaram
e quando ousar o afã de um recomeço?
 
Sentir quais sensações que ainda não sinto
se me anularam todos os sentidos?
Por qual desproteção ser protegida?
 
Como espantar que males escondidos,
abrir que porta de que labirinto
e achar em que lugar a minha vida?
 
 
 Maria Elizabeth Candio
 
 
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A Fúria da Paixão

Coser navios no peito,
ousar miragens
e deglutir no olho todo o cisco,
é o ponto de partida que separa
o céu do olhar que avista o que sonhara.
 
Roçar com seda o nervo
por vontade
e desbravar das mãos a dor do toque,
é o porto de chegada que alivia
o medo de uma lágrima tardia.
 
No desdobrar de esquinas
ser o avesso
e conjugar nos pés o precipício,
é o passo da jornada que assegura
o prêmio de um encontro na procura.
 
Ao devassar cometas
ver abismos
e cultivar nos ombros a esperança.
é o plano de chegança que atravessa
a ponte que separa da promessa.
 
Ao ter delírio
transpirar vulcões
e construir no amor todo o destino,
é o preço da vitória que apelida
a fúria da paixão que move a vida.
 
Maria Elizabeth Candio
 
 
 
 
 
 
 

Linha da Vida

I
Na minha palma destra
as linhas tecem
a face mestra do meu norte incerto. 

Na convulsão das linhas passam naus,
torpedos alinhavam transversais
 e atingem o meu barco
em linha reta. 

 

A minha embarcação
 não acha o cais.
Não acha o meu navio
 a sua meta. 

 

Na tessitura mística do oráculo
 a cena do espetáculo é sombria: 

As cartas paralelas do tarô
não traçam o perfil que costurou
 a agulha fina da quiromancia.
 
 II
Na incongruência os mísseis rasgam céus,
 projéteis desalinham o horizonte
e atingem o meu jato
em diagonais. 

 

Minha aeronave
não atinge o pouso. 

Não acha o alvo
 o trem da minha paz. 

 

Na urdidura mágica do tempo
 o ocaso cose a bissetriz perdida:
 
A minha destra borda girassóis
 no gris tecido que a paixão cerziu
 em cada contramão
da minha vida!

Maria Elizabeth Candio
 
 

VidArte

 A vida é verbo audaz e assaz conciso
 e leva a paz ao largo do impreciso… 
Tal qual em obras férteis de Pessoa,
a paz soçobra em restos de garoa.
 
A vida é lago opaco e logo acorda
 a quem mergulha fundo em plena borda…
Tal qual em versos secos de Drummond,
o lago seca e suga o seu néon. 
 
A vida é selva farta de armadilha
 e trava os pés do tolo em toda trilha…
Tal qual em letra verde ou cor de Rosa,
a vida é uma vereda tortuosa.
 
A vida é sonho triste que perece
 a cada passo torto que anoitece…
Tal qual na epifania de Clarice,
o passo acusa o não que o chão não disse.
 
A vida é luta breve que acalanta
 a chama bruta em vista que se espanta… 
Tal qual em linhas mestras de Machado,
a vida vale o dom de haver sonhado.

Maria Elizabeth Candio