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A Fúria da Paixão

Coser navios no peito,
ousar miragens
e deglutir no olho todo o cisco,
é o ponto de partida que separa
o céu do olhar que avista o que sonhara.
 
Roçar com seda o nervo
por vontade
e desbravar das mãos a dor do toque,
é o porto de chegada que alivia
o medo de uma lágrima tardia.
 
No desdobrar de esquinas
ser o avesso
e conjugar nos pés o precipício,
é o passo da jornada que assegura
o prêmio de um encontro na procura.
 
Ao devassar cometas
ver abismos
e cultivar nos ombros a esperança.
é o plano de chegança que atravessa
a ponte que separa da promessa.
 
Ao ter delírio
transpirar vulcões
e construir no amor todo o destino,
é o preço da vitória que apelida
a fúria da paixão que move a vida.
 
Maria Elizabeth Candio
 
 
 
 
 
 
 

Receituário de Poesia ou Sintagma da Paixão pela Palavra

I
DA PALAVRA
 Faca e agulha e lâmina e navalha, a palavra é vertigem na beira do abismo.
Necessário devassá-la
como pés descalços pisam pedras, pois a palavra é inexata como as paixões sem freio e busca ser precisa como as fases da lua.

Debruar o tronco dos vocábulos com a simplicidade de um pavão sem plumas, pois a geografia do sentido é um percurso de labirintos onde há serpentes à espreita.
Submeter o significado ao toque sutil da leitura em braile num corpo sedento de sensações.
Palavra: Febre encantada no sabor da verve.

II
DA PAIXÃO

Ardil e arapuca e armadilha e cilada, a paixão é miragem aos pés do vulcão.
Necessário arrefecê-la como homens fortes domam feras, pois a paixão é predadora como os corsários e precisa ser generosa como os anjos.
Singrar o dorso dos impulsos com o cuidado de um equilibrista cego, pois a ciência do sentimento é um trajeto de trapézios onde não há redes de proteção.
Silenciar o ímpeto
ao truque orgásmico do gesto íntimo com a naturalidade de um eunuco.

Paixão: Fogo atilado no tremor da vida.

III
DA POESIA

Teia e trama e trilha e tessitura, a poesia é drenagem no ventre da alma.
Necessário decifrá-la como dedos suaves tocam lábios, pois a poesia é enigmática como as sombras e urge ser despojada como as brisas.
Degustar a pele das imagens com a soberania de um centauro augusto, pois a filosofia da emoção é um roteiro de mosaicos
onde há desníveis à espera.
Sacrificar o símbolo à tecla tesa do ardor semântico num verso íntegro de vibrações.
Poesia: Feto gerado no bolor da virgem.


Maria Elizabeth Candio (Refeito em 19/01/2001)