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Posts marcados ‘Drummond’

Tratado das Pequenas Perfeições à Luz da Utopia

Aberta em asa a pomba de Picasso
 em sóis do vôo viril do livre arbítrio
acusa o chão de grades que alimenta
 a pedra de Drummond das intenções.
 
 A heteronímia viva de Pessoa
  asfalta faces múltiplas escolhas
 em solidão-nos cheias de entrelinhas.
 
Mistérios Mona Lisa de sorrisos
soçobram ante flechas matadeiras
 de sonhos peregrinos viscerais.
 
Camões em mãos de águas lusitanas
 ousou cantar conquistas patriotas
em rotas naufragadas de ilusões.
 
Beethoven filarmônico harmoniza
  os sons surdinos urros sibilantes
 de agudos egoísticos irmãos .

  Veredas são sertões de Guimarães
 “Rosa do Povo” sonha nuvens claras
da “Banda” que apesar de “Vai Passar”.

Imagine John Lennon num filme
apoteótico e futurista e libertário
 na “Paulicéia Desvairada” de Mário!
 
Os galos João Cabrais unem as cristas,
 cristais de gelo quente na utopia
 humana e sã que aponta e que reluz.
 
Na “Hora da Estrela” o ocaso ascende 
e a epifania lúdica Clarice
estoura n’alma tímpanos de luz!

Maria Elizabeth Candio

VidArte

 A vida é verbo audaz e assaz conciso
 e leva a paz ao largo do impreciso… 
Tal qual em obras férteis de Pessoa,
a paz soçobra em restos de garoa.
 
A vida é lago opaco e logo acorda
 a quem mergulha fundo em plena borda…
Tal qual em versos secos de Drummond,
o lago seca e suga o seu néon. 
 
A vida é selva farta de armadilha
 e trava os pés do tolo em toda trilha…
Tal qual em letra verde ou cor de Rosa,
a vida é uma vereda tortuosa.
 
A vida é sonho triste que perece
 a cada passo torto que anoitece…
Tal qual na epifania de Clarice,
o passo acusa o não que o chão não disse.
 
A vida é luta breve que acalanta
 a chama bruta em vista que se espanta… 
Tal qual em linhas mestras de Machado,
a vida vale o dom de haver sonhado.

Maria Elizabeth Candio